Necrologia

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FREI JOSÉ DE MANAUS (Jonas da Silveira Lima)

16/02/1899
23/04/1982

Foi a primeira vocação capuchinha amazonense. Natural do Rio Negro-AM. Terminou os estudos secundários em São Luís do Maranhão. Vocação adulta. Era funcionário dos Correios no Maranhão. Em 1924 foi enviado à Província de Milão, onde fez seu noviciado, professando na Ordem no dia 04 de novembro de 1926 e cursou Filosofia e Teologia.

Foi ordenado presbítero pelo Cardeal Ildefonso Schuster em 06 de agosto de 1932 e no mesmo ano regressou ao Brasil. Teve sua primeira destinação como vigário substituto nas paróquias de Palmácia-CE e Pacoti-CE, desobrigando por aquelas encostas e quebradas, de 1932 a 1934.

De 1934 a 1939 esteve no Seminário de Messejana como professor e confessor. Em 1941 exerceu seu ministério na desobriga de Turiaçu-MA até 1944.

Foi também vigário cooperador em Belém-PA, na paróquia de São José de Queluz em 1944. Voltou no ano seguinte para Guaramiranga- CE onde por um triênio se desdobrou como pároco e confessor.

Mais demorada foi sua permanência em Abaetetuba-PA de 1948 a 1956, onde, acometido por enfermidades, foi transferido para Fortaleza-CE sua última destinação, vivendo aí, 26 anos como confessor nas pegadas dos grandes confessores da Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

Figura característica de capuchinho, compenetrado da espiritualidade profunda que observara nas figuras de nossos heróis missionários nos rios do Amazonas e daquela que adquiriu no convívio durante sua formação e no campo missionário. Por sua vez tornou-se ponto de referência para os vocacionados que atraía no seu pastoreio. Zeloso em atender às confissões, orientou muitas almas para as metas exigentes do Evangelho. Seu silêncio habitual falava mais alto que as palavras quase imperceptíveis que pronunciava com timidez. Em todo lugar por onde passou, deixou edificação e bom exemplo.

Recolhido no convento do Sagrado Coração de Jesus em Fortaleza quando foi a cometido por paralisia, por sete anos se preparou para sair de mansinho da cena deste mundo como servo despretensioso, embora tivesse desenvolvido notável folha de serviço, e apresentar-se para receber o eterno galardão.

Faleceu aos 83 anos de idade.

FREI VICENTE DE ROSARIO (José Olegário Coelho)

30/05/1895
27/04/1951

Tinha 41 anos quando vestiu o hábito capuchinho no dia 23 de abril de 1936, iniciando o santo noviciado para fazer sua profissão religiosa aos 24 de abril de 1937.

Religioso simples e humilde, dedicou-se ao crescimento da Missão, não obstante a sua saúde precária exerceu vários serviços fraternos em nossas residências como porteiro e sacristão especialmente em Barra do Corda-MA. Desejoso de imitar os nossos santos antigos co-irmãos passava as horas livres do trabalho rezando rosários a Nossa Senhora.

Faleceu aos 56 anos de idade.

FREI AGOSTINHO FERNANDES (Hudson Fernandes)

22/11/1900
29/04/1998

Após os estudos secundários foi enviado à Província da Lombardia em 1924. Fez o noviciado no convento de SS Anunciada e cursou Filosofia e Teologia. Fez sua profissão simples em 08 de setembro de 1925. Foi ordenado presbítero no Duomo (Catedral) de Milão no dia 02 de agosto de 1931 por imposição das mãos do beato Cardeal Ildefonso Schuster.

Regressou ao Brasil em 1932, Foi Missionário na então Prelazia de Grajaú-MA de 1932 a 1936. Em 1935 trabalhou em Abaetetuba-PA que estava sem pároco e que sucessivamente seria confiada à fraternidade de Belém.

Transferido para Guaramiranga-CE, no estudantado inter-custodial lecionou filosofia de 1937 a 1940, ano em que volta a São Luís-MA como vigário do Anil. Dois anos depois (1942 voltou ao Ceará e lecionou matemática no Seminário Seráfico de Messejana. Em 1944 esteve em Teresina-PI. Em 1945 foi confessor na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Transferido para Belém em 1947 permanece lá até 1950, desdobrando-se nas missões, nas visitas pastorais e nas pregações até adoecer.

Voltou de novo ao Ceará como confessor na Igreja do Sagrado Coração de Jesus e no ano sucessivo foi ao Leprosário de Antônio Diogo onde ficou a década. Em 1962 subiu a serra de Guaramiranga como capelão de Pernambuquinho-CE. Em 1970 voltou para Antônio Diogo ficando aí até 1995. Sua última destinação foi o convento do Sagrado Coração de Jesus de Fortaleza, onde viveu como ancião muito querido da nova província São Francisco das Chagas.

Dedicado aos leprosos. Fascinado pela missa que jamais deixava de celebrar mesmo quando viajava de ônibus. Era fascinado por questões teológicas. Tornou-se um exemplo de piedade. Só se interessa pelas coisas de Deus.

Ele executava sem dissonâncias: o religioso capuchinho pobre, desprendido, simples, austero e habituado à regular observância (aos 97 anos levanta-se às 4h da manhã, recitava todas as horas canónicas, celebrava 02 missas, ouvia confissões...) e o religioso franciscano, alegre, espontâneo, comunicativo, espirituoso, contador de histórias e anedotas, atualizado, dando a impressão que era realizado e feliz.

Em 1985 o governador do Ceará lhe conferiu a medalha da abolição pelos relevantes serviços prestados aos hansenianos. Seu corpo antes de ser tumulado no Cemitério São João Batista, foi até Antônio Diogo, onde uma grande multidão se despediu do venerado capelão, carinhosamente chamado de “o capuchinho dos hansenianos”.

Faleceu aos 98 anos de idade.

FREI HIGINO FERNANDES (Heitor Rodrigues Fernandes)

08/08/1921
11/04/1979

Envolvido em sua terra natal Grajaú, na atmosfera fortemente franciscano-capuchinha dos velhos missionários, tocado pelas narrações do martírio em Alto Alegre-MA e pela vida apostólica e austera dos frades com os quais convivia, em 1937 entrou no Seminário Seráfico de Messejana-CE. Vestiu o hábito em Guaramiranga em 1945 e fez sua primeira profissão no dia 11 de fevereiro de 1946. Estudou Filosofia em Guaramiranga, Teologia em Messejana e em Parnaíba-PI. Foi ordenado sacerdote por D. Frei Emiliano Lonati no dia 24 de dezembro de 1951 em Barra do Corda-MA.

O seu primeiro campo de apostolado se deu na paróquia do Anil em São Luís do Maranhão de 1952 a 1955. Nesse mesmo ano foi enviado ao Rio de Janeiro para pregar em preparação ao Congresso Eucarístico Internacional. Pregou missões populares também em Minas Gerais, na Diocese de Guaxupé. Os retiros espirituais, que ele fez questão de contar, foram 358, para as várias categorias de fiéis, sacerdotes, religiosos/as e estudantes.

De 1956 a 1960 foi solicitado pelos Irmãos Maristas de Fortaleza-CE para ser Capelão, Diretor espiritual e Professor de Religião no Colégio Marista Cearense.

De 1961 a 1963 foi colocado como Diretor espiritual no Seminário Seráfico de Messejana e no triênio sucessivo (1963-1966) como mestre dos noviços em Guaramiranga-CE. Transferido para Parnaíba foi diretor do juvenato para irmãos leigos de 1967 a 1969, cumulando também o ofício de assistente espiritual da OFS.

De 1970 a 1971 foi vigário de Luis Correia-PI e capelão dos hansenianos na Colónia do Carpina (Parnaíba), função exercida até o fim de sua vida. Foi um homem de intensa vida espiritual, fecundo e robusto pregador popular, eficaz orientador de retiros. Encaminhou a juventude seráfica na jovem Vice-Província do Ceará-Piauí, mas revelou a envergadura de sua espiritualidade no sofrimento da última doença que o preparou para o encontro com o Supremo Pastor. Deixou edificados todos os que conheceram e saudosos aqueles que o tiveram como orientador espiritual. Este testemunho de um companheiro de caminhada bem resume a sua vida: “...Chegou a ser o melhor animador de retiro, o melhor pregador popular proclamado pelo povão e o capelão dos hansenianos mais amado do Brasil”.

Faleceu aos 58 anos de idade.

FREI BELCHIOR AQUINO (Fidélis de Sousa Aquino)

24/04/1909
13/04/1981

Entrou na Ordem aos 32 anos vindo da polícia militar e foi uma das primícias do noviciado da Custódia Maranhense. Fez sua primeira profissão religiosa no dia 24 de abril de 1945. O noviciado da serra de Guaramiranga-CE foi o lugar que o teve repetidas vezes como membro da fraternidade, empenhado na formação e instrução dos jovens que aspiravam à vida seráfica. Sua profissão no mundo era alfaiate compatível com a vida do convento que abraçou e prestou relevantes serviços.

De 1945 a 1948, durante a segunda guerra mundial foi enviado ao Seminário Seráfico de Messejana como instrutor dos postulantes leigos e auxiliar de disciplina.

Por sua maturidade foi transferido para Belém do Pará como porteiro nos anos 1949-50 e em seguida para a recente fundação do Convento de Parnaíba-PI de 1950-52. Os superiores, apreciando suas qualidades devolvem-no a Guaramiranga de 1952-58, sempre como porteiro e de novo em Messejana em 1959 como alfaiate. Na abertura do convento de Sobral, lá está Frei Belchior como porteiro e horteleiro.

Seu porte humilde cativa-lhe a estima do povo e os superiores o encarregam de ir esmolar em benefício do Noviciado nos anos de 1954 a 1964; sua figura já encanecida na nova Custódia Geral do Ceará e Piauí tem forte valor exemplar e então de 1970 a 1972 é instrutor dos noviços em Guaramiranga, de onde é transferido para o convento do Coração de Jesus em Fortaleza. No ano de 1975 começa a manifestar-se nele o AVC. No ano seguinte passa a residir em Teresina, onde o clima é mais agradável e perto de seus familiares.

É incrível a disponibilidade deste irmão de cabeça branca que pode ser transferido pelos superiores de um Estado para outro e de um convento para outro, de uma casa para outra, sem que isto o deixe perturbado. Para onde ele vai, com seu comportamento manso e despretensioso cativa os frades e leigos e sabe viver o isolamento nos últimos seis anos de sua existência com edificante espírito de desprendimento e humildade. Na realidade Frei Belchior conseguiu fazer uma síntese meio grotesca, unindo os traços que herdou dá polícia, a pouca escolaridade e os estudos fragmentados de franciscanismo. Todos gostavam dele, tinha uma alma de criança, embora nunca tenha se encaixado no perfil padrão do frade.

Faleceu aos 72 anos de idade.

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