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Frei Ovido Zanini

22/11/1934
30/09/2012

* 22.11.1934 – Ouro/SC

† 30.09.2012 – Curitiba/PR

Frei Ovídio Zanini, filho de Francisco Zanini e de Maria Gianni Zanini, nasceu em Linha Bonita/Ouro- SC, aos 22.11.1934. Foi batizado no mesmo lugar, logo após seu nascimento e, posteriormente, crismado por Dom Daniel Hostin, então bispo de Lages-SC.

Iniciou seus estudos em Linha Bonita em 1941 na Escola Municipal. Entrou no Seminário São Francisco, em Barra Fria, hoje Lacerdópolis em 1944. Continuou seus estudos em Butiatuba (1945-1949). Ingressou no noviciado também em Butiatuba, aos 13.01.1950, tendo como mestre Frei Germano de Lion. Recebeu o nome de Frei Fernando de Capinzal. Emitiu os votos temporários aos 14.01.1951. Durante seus estudos filosóficos e teológicos, emitiu a profissão perpétua (06.01.1956) e recebeu as Ordens Menores (Leitorado aos 26 de maio e Acolitado aos 2 de julho de 1950). Após o diaconato (16.03.1957) foi ordenado sacerdote por Dom Inácio de Ribeirão Preto aos 15.12.1957 em nossa Igreja Nossa Senhora das Mercês, Curitiba. De 1958 a 1963 estudou em Roma, obtendo licenciatura em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana e em Sagrada Escritura, pelo Pontifício Instituto Bíblico.

Como sacerdote atuou nas seguintes localidades: Santo Antônio da Platina (1958), Roma (curso bíblico, 1958- 1963), Curitiba (1964-1974), Butiatuvinha (1975), Ponta Grossa 1976-1985), Londrina (1986-1987), Itapoá e Angola (1988), Uraí(1989), Florianópolis e Jaraguá do Sul (1990-2001), Curitiba (2002-2012).

Atividades

Ele próprio as descreveu em dez períodos:

Primeiro período: Atendimento aos excluídos (1965-1972) - Após ter retomado de Roma, além de ser professor, criou entidade “Dom Camilo” de promoção humana do pobre que vivia coletando lixo pela cidade, usando carros e carrinhos de mão. Passado certo tempo, criou a FREI (Fundação de Regeneração de indigentes), reconhecida pelas autoridades municipais, estatais e nacionais, e que substituiu a Dom Camilo. Não concordando com a diretoria da FREI, demitiu-se e criou a Obra Social Dom Camilo com os mesmos métodos e objetivos. Adquiriu um terreno em Butiatuvinha, construindo nele 20 casas, um barracão e organizou fabriqueta de chaveiros. Para manter a obra, começou a escrever e publicar livros e deu palestras bíblicas em mais de 92 paróquias.

Segundo período: Pastoral de Prevenção (1969- 1972) - Realizou cursos de higiene mental em 39 paróquias e exposições fotográficas de prevenção às drogas, onde vendia seus livros para sustentar a obra iniciada.

Terceiro período: Sexualidade e experiência de Deus (1970-1978) - Fez milhares de palestras em centenas e centenas de paróquias no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, sempre com o objetivo de combater as doenças, misérias, violências e libertinagem sexual.

Quarto período: Cursos populares da Bíblia (1968- 1984)- Com mestrado em Teologia Dogmática e Sagrada Escritura ministrou cursos de Bíblia em paróquias e capelas. Para isso, organizou uma coleção de 400 diapositivos que ilustrava seus cursos nas igrejas matrizes e capelas.

Quinto período: Professor de teologia dogmática (1964-1968) - Lecionou Teologia para os Freis capuchinhos (19 anos), seminaristas maiores de Curitiba, Ponta Grossa, São Paulo e Amazonas (6 meses); Filosofia (12 anos) em Ponta Grossa e na Angola; Sagrada Escritura, História Eclesiástica (19 anos junto com a teologia), Estética e Historística (3 anos). Criou um jeito novo de dar filosofia e história dentro de uma visão franciscana, especialmente no período em que houve forte crise no estudantado de filosofia, em Ponta Grossa.

Sexto período: Pregou numerosos cursos de retiros, prestou atendimento espiritual, coordenou cursos e dias de formação em centenas de lugares, para colégios, institutos religiosos masculinos e femininos, movimentos eclesiais, escolas até nas Faculdades. Prestou atendimento espiritual aos Irmãos Maristas do Champagnat (Curitiba), às Irmãs Ucraínas (Ponta Grossa) e outros mais.

Sétimo período: Escritor - Ao longo de sua vida, escreveu 25 livros, alguns com grande tiragem. Seu estilo sempre foi claro, acessível, preciso e atraente.

Oitavo período: Pároco e criador de novenas - Como pároco da paróquia Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba-PR, iniciou a Novena do Cristo Partido e outras mais nos lugares onde trabalhou.

Nono período: Curso de Parapsicologia - Desde 1996 até o final de sua vida, ministrou 750 cursos de parapsicologia em 20 dioceses e numerosas paróquias. Nestes cursos, Frei Zanini fazia demonstrações públicas de hipnose ou de fenômenos do poder mental, procurando desmistificar visagens, possessões, incorporações, mi­lagres, curandeiros, falsos argumentos de reencarnação, doenças psicológicas e outras.

Décimo período: Pastoral da cura interior - Ele mesmo disse que este período seria o último de sua vida e, de fato o foi. Com os cursos de parapsicologia e de programação mental procurou ajudar os deprimidos e psicologicamente doentes. Em Curitiba, dominicalmente das 15 às 18h ministrava esses cursos, aberto a todos.

Falecimento

Após vários dias de internamento no Hospital Nossa Senhora das Graças, com problemas cardíacos, Frei Ovídio Zanini faleceu no dia 30.09.2012. Ele que era biblista, faleceu no dia de São Jerônimo. Contava 77 anos de idade, 61 de vida religiosa e 54 de sacerdócio.

Missa exequial

Seu corpo foi velado na Igreja das Mercês e no dia seguinte, às 14h iniciou-se a missa de corpo presente. Embora fosse segunda-feira, a igreja estava lotada de fiéis. Esteve presente também o bispo auxiliar de Curitiba, Dom Rafael Biernaski, muitos sacerdotes e religiosos de nossa Província. A missa foi presidida pelo Ministro Provincial, Frei Cláudio Sérgio de Abreu, solenizada com muitos cantos. Inicialmente, Frei Juarez De Bona apresentou os dados mais importantes da vida de Frei Zanini. Os textos da missa foram indicados pelo mesmo Frei Ovídio Zanini que preparou a “missa de ressurreição” para sua missa exequial, com as leituras e orações elaboradas por ele mesmo. Na homilia, o Ministro Provincial respeitou o pedido do falecido, lendo o texto que ele tinha preparado para seus funerais, que terminou dizendo: “Posso fazer mais um pedido? Entoem cantos de alegria e ressurreição. Façam festa. Se tiverem saudades, agradeço, mas, não tenham tristeza. Lem­brem do que disse Jesus: “Se me amaram, se alegrarão por eu ir para o Pai” (Jo 14,28b). Em seguida o celebrante passou a palavra aos Freis Jaimir Compagnoni (guardião do convento) e Pedro Cesário Palma (pároco). Após a oração final, o Ministro Provincial agradeceu a todos os que prestaram ajuda ao Frei Zanini, frades, leigos, religiosas e médicos do Hospital Nossa Senhora das Graças. Em seguida, o Ministro Provincial fez a encomendação do corpo, usando a oração preparada por Frei Zanini.

Sepultamento

Terminada a missa exequial na igreja Nossa Senhora das Mercês, Curitiba-PR, o corpo de Frei Zanini foi transportado para o cemitério particular dos Freis capuchinhos em Butiatuba-PR, acompanhado pelos Freis, religiosas e leigos. Ao lado do túmulo, o Ministro Provincial fez as últimas orações rituais com a prece dos fiéis. O corpo de Frei Zanini foi descido à sepultura, acompanhado com o canto “Com minha Mãe estarei” e com grande salva de palmas. O canto “A Virgem de Nazaré” e o característico cantar dos Quero-quero completaram a cerimônia de sepultamento.

Testemunhos:

- Foi professor de altíssimo nível no domínio dos conteúdos, na comunicação, no incentivo ao estudo e especialmente na sua riquíssima didática. Com sua singular inteligência tinha a capacidade de tornar as coisas difíceis fáceis com linguagem acessível.

- No período em que esteve em Ponta Grossa como professor, “carregou nas costas” o estudantado de teologia, deixando fortes marcas. Naquele tempo pós- conciliar e com tantas mudanças, Frei Ovídio foi um “presente de Deus” não só no ensinando da Teologia, mas sobretudo transmitindo muitos valores franciscanos. Era homem de vanguarda. Quando terminava um curso na área de teologia, levava seus alunos, os Freis, a passeio pela natureza exuberante e ali fazia belíssimas orações com os frades estudantes. Ensinava a ver a Deus mais nas coisas ordinárias que extraordinárias. Neste aspecto, foi um mestre de oração.

- Com sua sensibilidade, percebia a presença de Deus em tudo e louvava o Criador com suas criaturas. Era acessível e sensível às pessoas, especialmente com os pobres, que procurava socorrê-los com carinho.

- Sua espiritualidade partia sempre da realidade e partilhava-a na pregação, homilias e na oração comunitária.

-Era amigo alegre, acolhedor, criativo, sonhador, realizando grande bem às pessoas com suas orientações, escritos e palestras. Quando estudante demonstrava facilidade nos estudos e, como conhecia bem o latim, traduzia muitas lições para seus colegas, ajudando-os assim a compreendê-las e superar os exames.

- Como professor transmitia seu saber com habilidade, humildade, clareza, levando-nos a nos apaixonar pelas Sagradas Escrituras. Seus livros e palestras prendiam a atenção dos ouvintes. Sua maneira de viver e ensinar era atraente e entusiasmava. Sua serenidade, alegria, simplicidade, sabedoria, amizade eram marcas fortes presentes em seu relacionamento fraternal”.

- Lutou para libertar as pessoas das prisões mentais e alertou a todos para não se tornarem escravos de si mesmos, de seus medos, compulsões e imagens.

- Dedicou-se em mostrar que uma vida simples e serena é arma poderosa contra a intolerância e a impaciência.

- Ensinava, com constância, que a imaginação sadia é meio poderoso para construir uma vida abençoada e feliz.

- Com sua vasta cultura bíblica, acreditava nos valores do Reino de Deus, mantinha-se firme na certeza da vida futura e a almejava, afirmando que “a esperança do futuro é o segredo do presente”.

Atendimentos de Frei Zanini

Entre as poucas coisas que foram encontradas no quarto de Frei Ovídio Zanini há duas agendas, onde anotou todos os atendimentos que fez nas Mercês. O primeiro atendimento que fez, nas Mercês, foi para João Carlos Loss e Ana Clara. A primeira agenda começa do n° 1 e chega até 4.874 atendimentos. A segunda agenda começa com o atendimento n° 4.876 e vai até o n° 8.196 para Gilvani dos Santos, morador em Campina Grande do Sul (Curitiba-PR). Infelizmente, nestas duas agendas, Frei Ovídio não dividiu por anos e meses. É um elenco continuado sem data de início. Sem iniciou o atendimento em 2002, porque aos 2 de março de 2002, ele foi transferido para a paróquia das Mercês como vigário paroquial e orientador psicológico.

Salmos do Novo Testamento

Talvez poucos ouviram falar que Frei Ovídio Zanini fez uma tentativa de elaborar uma série de “Salmos do Novo Testamento”. O original é escrito com as velhas máquinas de escrever e, na primeira folha, Frei Zanini escreveu assim: “Temas para Salmos do Novo Testamento - Frei Ovídio Zanini - Uraí-PR, 1o de janeiro de 1989”. Não existe apresentação ou explicação sobre o trabalho que fez. Ele fez 150 Salmos e mais 15 opções, resultando em 165, nas notas há algumas citações bíblicas e expli­cações. Este o primeiro salmo de sua coleção: Salmo 01: Eucaristia e Ressurreição; o salmo 150 tem esse título: Meditação. Nos 15 salmos opções, o 151 intitulou “Cristo e Maria” e o 165 “De novo, teologia da libertação”.

Ao todo, são 169 páginas A4. No índice, aparece o elenco de 165 salmos; no corpo do livro foram encon­trados somente 163, faltando os dois últimos que tem estes títulos: “164: Tereza de Calcutá; 165: De novo, teologia da libertação”.

Frei Algacir Sebastião Cornehl

12/03/1934
06/09/2017

     Fr. Algacir, filho de Roberto Cornehl Júnior e Magdalena Marchioratto nasceu em Curitiba-PR, aos 12.03.1934. Eram 5 irmãos: Altair, Ada, Algacir, Airton e Adalberto. Foi batizado aos 13.05.1934 e crismado aos 12.10.1947 por Dom Ático Eusébio da Rocha, arcebispo de Curitiba. Recebeu a 1ª eucaristia 18.11.1945 na Igreja Santa Terezinha.

Entrou no Seminário Santa Maria, Irati-PR, a 01.03.1961. Era adulto: estava com 27 anos de idade e o Curso Científico Completo. O diretor de então era Frei Bonifácio Piovesan. Recebeu o hábito capuchinho com o nome de Frei Sílvio de Curitiba, em Siqueira Campos aos 10.02.1962. O mestre de noviciado foi também Fr. Bonifácio. Emitiu a profissão temporária aos 11.02.1963 nas mãos de Fr. Antônio de Tomazina. Nas Mercês emitiu os votos perpétuos aos 11.02.1966. Re­cebeu os ministé­rios de leitor, aos 10.12.1967 e acólito, aos 08.06.1968. Foi ordenado diácono, aos 09.03.1969. Recebeu a ordenação sacerdotal na Igreja das Mercês, das mãos Dom Jerônimo Mazzarotto aos 15.03.1969. Celebrou a primeira missa solene 16.03.1969 na Igreja Santa Terezinha.

Residências: Fr. Algacir atuou como sacerdote capuchinho nestas localidades:

Uraí, 1969; Umuarama, 1970-1975; 1999-2006;2009;2014; Missionário Popular 1976-1977; 1988-1994; São Lourenço do Oeste, 1978; Capinzal, 1979-1980;1995; Bandeirantes, 1981-1983; Piratuba, 1984;1995; Dois Vizinhos, 1985; Itapoá, 1985; Vera Cruz do Oeste, 1985-1987;1994-1995; Cap. Leônidas Marques, 1989-1990; 2007 Reserva, 1995; Marmeleiro, 1996; Siqueira Campos, 1997-1999; Rio do Oeste, 1999; Foz do Iguaçu, 2007-2008;2010; Curitiba: Mercês, 2011-2013; 2015-2017. 

            Exerceu os seguintes serviços na Província: Diretor de pré-seminário, vigário paroquial, pároco, missionário popular, vice-superior local, superior local, ecônomo local, bibliotecário e arquivista.

Depoimentos: Frei Algacir, ao longo de sua vida capuchinha trabalhou praticamente sempre na pastoral. Era metódico, pontual, muito disponível, caráter forte, mas muito sensível. Sofreu acidente automobilístico que lhe deixou seqüelas nas pernas, fazendo-o sofrer muito. Mas diante de tudo isto não se acomodou. Enquanto cuidava de sua saúde no convento das Mercês prestou muita ajuda especialmente na pastoral das exéquias e também na unção dos enfermos.

Faleceu de infarto às 21h do dia 6 de setembro de 2017.

Contava 83 anos de idade, 54 anos de Vida Religiosa e 48 de Vida Sacerdotal.

FREI ITAMAR JOSÉ ANGONESE

22/08/1959
08/09/2017

Fr. Itamar nasceu em Guaraniaçu-PR aos 22.08.1959. É filho de Ampílio Angonese e Itamira Perez. Eram 3 irmãos: Itamar, Ivomar, Ângelo. Foi bati­zado no dia 29.09.1959 e crismado aos 08.08.1965 por Dom Armando Círio, bispo de Toledo. Recebeu a 1ª eucaristia no dia 13.05.1967, em Guaraniaçu.

Ingressou no Convento Bom Jesus a 01.03.1980, sendo diretor Fr. Daniel Heinzen. Recebeu o hábito capuchinho aos 24.01.1981 em Butiatuba, sendo mestre Fr. João Daniel Lovato. Emitiu os votos temporários aos 24.02.1982, nas Mercês  e os perpétuos, aos 14.02.1988, em Butiatuba. Re­cebeu os ministé­rios de leitor e acólito aos 28.11.1985, em Londrina. Foi ordenado diácono aos 22.12.1992, em Vera Cruz do Oeste, por Dom Olívio Fazza e ordenado sacerdote pelo mesmo bispo, na mesma igreja, aos 05.06.1993. Celebrou a 1ª missa solene no dia seguinte em Cascavel, na matriz São Paulo Apóstolo,  sendo paraninfo Fr. Daniel Heizen.

Residências: Fr. Itamar trabalhou nos seguintes lugares: Assunção-PY, 1988-1991; Vera Cruz do Oeste, 1992; Céu Azul, 1994; Foz do Iguaçu, 1994-2001; Umuarama, 2002-2005; Florianópolis, 2006-2008; Ponta Grossa: Bom Jesus, 2009-2010; Curitiba: Cúria, 2011; Butiatuba, 2012-2017.

Fr. Itamar prestou os seguintes serviços: vigário paroquial, assistente da Jufra, diretor da escola vocacional, guardião, pároco, professor, ecônomo local, coordenador do SAV regional, conselheiro provincial (duas vezes), secretário da SEASF, 1º tesoureiro do IPAS.

Além dos estudos normais de filosofia e teologia fez especialização em Liturgia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. Sra. da Assunção, em São Paulo e Licenciatura Plena em Filosofia pela Unioeste de Toledo PR.

Em novembro de 2007, comemorando o seu Jubileu de Prata de Vida Religiosa, fez peregrinação a Santuários Marianos da Itália, França, Espanha e Portugal.

Destaques: Frei Itamar inicialmente trabalhou como missionário no Paraguai. Sempre foi muito responsável, dinâmico, disponível, acolhedor, otimista e prático. Apesar de ser atingido pelo câncer desde maio de 2008, continuou suas atividades, se tratando e controlando-o o quanto pôde. Finalmente foi vencido pela doença, vindo a falecer no Hospital N. Sra. das Graças, dia 08.09.2017, às 21h.

Contava com 58 anos de idade, 35 anos de Vida Religiosa e 24 de Vida Sacerdotal e 4 de missionário no Paraguai.

Frei Norberto Bruno De Carli

12/04/1920
09/09/1996

12.04.1920 - Capodístria/Itália
09.09.1996 - Curitiba/Paraná

Frei Norberto era filho de Umberto De Carli e Luigia Gandusio. Nasceu aos 12 de abril de 1920, em Capodístria, diocese de Trieste, na Itália. Eram em dois irmãos: Umberto e Norberto. Ambos tornaram-se sacerdotes capuchinhos. Foi batizado aos 3 de junho de 1920 e crismado em junho de 1927, também em Trieste. Recebeu a primeira Eucaristia aos 10 de agosto de 1927, em sua terra natal.

Após uma primeira experiência no seminário de Capodístria, ingressou para o seminário de Rovigo aos 02 de agosto de 1932, sendo o diretor Frei João de Pescantina. Sua vestição foi aos 01 de agosto de 1936, em Bassano del Grappa, tendo como mestre de noviciado Frei Romualdo de Soava. Professou temporariamente aos 02 de agosto de 1937 e, perpetuamente, aos 14 de setembro de 1941. Recebeu os ministérios de leitor (21.03.1942) e de acólito (19.06.1943), sendo ordenado sacerdote (21.05.1944), pelas mãos do Cardeal de Veneza, Adeodato Piazza, na igreja Nossa Senhora da Saúde. Celebrou sua primeira missa solene aos 04 de julho de 1947, em Capodístria.

No dia 21 de outubro de 1947, com o navio Campana da Societé de Navigation de Marseille, embarcou em Gênova, para o Paraná, juntamente com os freis Crispim de Vigorovea, Cleto de Maserà, Valério de Pescantina, Gilberto de Badia Polestine, Donato de ênego, e Germano de Lion. Chegou ao Paraná aos 12 de novembro de 1947.

Durante os 49 anos que aqui viveu trabalhou nos seguintes lugares: Joaquim Távora (1948; 1955-1958) onde encontrou muitas dificuldades com a maçonaria local, Barra Fria (1949), São Lourenço d'Oeste (1949), Laurentino (1950), Curitiba-Mercês, (1950-1955; 1985-1996), Uraí (1959), Cruzeiro do Oeste (1960); Ponta Grossa-Imaculada (1961-1964; 1969; 1971), Bandeirantes (1965), Ponta Grossa-Bom Jesus (1966-1968), Siqueira Campos (1973-1985). Nestes lugares exerceu as funções de reitor de seminário, professor de Teologia Moral, vice-superior, superior local, vigário paroquial, pároco, capelão dos Maristas, missionário popular e capelão hospitalar.

Em 1985 viajou à Itália para assistir a morte e a sepultamento de sua mãe, lá permanecendo durante sete meses.

Escrevia muito ao seu irmão capuchinho, Frei Humberto De Carli: de 1947 a 1996, 262 cartas. Em suas cartas descrevia seus trabalhos nos diversos lugares, lembrava sua mãe, falava de sua saúde, alongava-se em considerações sobre a política nacional, sobre a Igreja e outros problemas do continente sul-americano. Aos 22 de maio de 1994, celebrou seus 50 anos de vida sacerdotal. seu irmão Frei Umberto veio da Itália para participar desta celebração jubilar. Em 1995 escrevia, por exemplo, que "sinto o desejo de cantar, ao mesmo tempo, o Te Deum e o Nunc dimittis". Em 1996, ano de seu falecimento, escreveu ainda onze cartas a seu irmão.

No dia 7 de setembro de 1996, após o almoço e durante a conversa com os freis, sentiu-se improvisamente mal, vindo a falecer no refeitório da Cúria provincial.

Frei Norberto era um frei simples, humilde e de muita oração. Gostava de brincar com os freis. Com os fiéis era muito reservado e prudente. Era amigo do confessionário, sabendo entender os que o procuravam para algum conforto humano e espiritual. Era sério nas horas sérias e sabia rir com os que se alegravam. Não gozava de boa saúde: a sinusite o acompanhou por dezenas de anos. Sabia escutar os freis e era muito conciliador, dando razão a todos. Sabia calar e engolir quando necessário. Era companheiro de todos os freis e tinha boas amizades com leigos, deixando saudades em todos os lugares por onde passou, exercendo seu apostolado.

Não gostava de ser aplaudido e nem de exercer o cargo de Superior. Era homem austero e de coração dócil. Gostava de estar bem informado e lia muito. Gostava de comunicar e partilhar as boas novidades. Soube conservar a tradição e buscar o novo. Optou pelo uso sistemático da batina e soube desfazer-se da barba. Era amante do silêncio, mas entre nós era extrovertido. Não recusava os trabalhos de limpeza da louça, na cozinha do convento e, por própria iniciativa, levava duas vezes por dia o lixo da cozinha para o lixeiro da horta. Normalmente lavava as próprias roupas e não gostava de incomodar a ninguém. Os conselhos evangélicos de obediência, pobreza e castidade, sem dúvida, foram o tripé de sua vida de consagração a Deus e neste campo teve toda a admiração e a estima de todos os freis.

Escreveu uma sua biografia até 1968, na qual aparecem interessantes fatos desde sua viagem ao Brasil e com notícias históricas sobre os diversos lugares onde trabalhou.

Permanece entre nós, o seu exemplo de fé, doação, resignação na doença, bondade, cortesia e fidelidade na vocação. As exéquias foram realizadas no dia 9 de setembro na capela do convento Santo Antônio, em Butiatuba-Almirante Tamandaré, PR, com a presena de Frei Atílio Galvan, Ministro Provincial, de Frei Florio Tessari, ex-Ministro provincial de Veneza, de muitos freis, diversos ex-alunos, amigos e fiéis. Seus restos mortais repousam no cemitério dos Frades Menores Capuchinhos, em Butiatuba.

Frei Gino Tinazzi

03/02/1922
15/09/2010

* 03.02.1922 – Verona/Itália

† 15.09.2010 – Conegliano/Itália

Frei GINO TINAZZI, filho de Baltasar Tinazzi e Libera Pezzo nasceu em Valdiporro, município de Boscochiesnuova, diocese de Verona, Itália, aos 03.02.1922.

Entrou no seminário de Rovigo aos 18.08.1933. Dia 19.07.1938 recebeu o hábito capuchinho em Bassano dei Grappa com o nome de Frei Baltasar, sendo mestre frei Romualdo de Soave. Emitiu os votos tempo­rários aos 20.07.1939 em Bassano e os votos perpétuos aos 28.05.1944, em Veneza, sendo o celebrante frei Ciemente Vicentini, vigário provincial. Foi ordenado sacerdote aos09.09.1945 pelo bispo capuchinho Dom Goméiio S. Cuccarollo, na majestosa basíli­ca paladina do Santíssimo Redentor.

Após sua ordenação, consideradas também suas qualidades intelectuais, os superiores enviaram a Roma onde obteve o mestrado em teolo­gia pela Universidade Gregoriana e mestra­do em Sagrada Escri­tura pelo Instituto Bíblico.

Retomando à Província Vêneta, frei Gino foi designado professor de Sagrada Escri­tura aos nossos teólogos de Veneza e de­senvolveu este serviço por onze anos. Frei Raimundo Ambrosi, seu ex-aluno e mais tarde ministro provincial assim escreveu sobre Frei Gino: “Recordo seus anos como professor em Veneza, o seu exemplo de bondade e de oração, sua amabilidade, o serviço alegre a qualquer necessidade dos confrades".

Desde o início de sua vida sacerdotal

No Paraná - Frei Gino queria ser mis­sionário, mas somente mais tarde foi atendido. Foi designado para nossa Província, aqui chegando no dia 01.07.1976. Nesta circunscrição exerceu seu apostolado nas seguintes localidades: Vera Cruz do Oeste (1976-1979); Santo Antônio da Platina (1980- 1986). Nestas fraternidades prestou o serviço como vigário paroquial e capelão do Asilo, em Santo Antônio.

Aos 19.06.1986, por motivos de saúde, regressou à Província Vêneta e mais tarde, de 1989 a 1993, trabalhou no Acre, ficando à disposição do bispo de Cruzeiro do Sul.

Retorno - Retornou definitivamente à Itália, em 1993, sendo destinado confessor no convento de Ásolo. Ali foram muitos os sacerdotes e os fiéis que, atraídos por sua cordialidade e por seu sorriso, subiram a colina onde se encontra aquele convento para buscar misericórdia e alívio no sacramento da confissão ou na direção espiritual. Homem de poucas palavras, mas sempre de confiança e de otimismo. Frade de paz e de serenidade foi presença tonificante na fraternidade. Era animado por profunda caridade e mansidão. A oração prolongada lhe deu energia para ser verdadeiro frade menor. Amante da natureza, tinha o dom de maravilhar-se por tudo o que é belo e que reevoca a grandeza da bondade criadora de Deus. No horto conseguiu cuidar um pedacinho de terreno, onde cultivou, com afeto, diversas ervas aromáticas que ele regularmente recolhia.

Em Ásolo Frei Gino permaneceu pratica­mente até o fim. Seu estado de saúde agra­vou-se repentinamente e logo foi conduzido à enfermaria de Conegliano, onde faleceu no dia 15.09.2010. Contava 88 anos de idade, 71 de vida religiosa e 65 de sacer­dócio e 14 de missionário no Brasil.

Foi sepultado em Vadiporro, sua terra natal, ao lado do seu irmão frei Ézio, também sacerdote capuchinho.

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