Necrologia

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Frei Bento Vasco Sanson

07/06/1941
13/08/2001

07.06.1941 - Palmeira/Paraná
13.08.2001 - Curitiba/Paraná

Frei Bento, filho de Tibúrcio Vasco e de Elísia Sanson Vasco, nasceu aos 07 de junho de 1941 em Rio de Areia (Volta Grande, Palmeira), Paraná. Foi batizado pelo Padre Teodoro Matessi aos 24.08.1941 na capela de Rio de Areia, e crismado ao 10.08.1964 em Palmeira. No Faxinal dos Vieiras (Palmeira), recebeu a primeira comunhão aos 07.10.1951.

Após ter feito alguns trabalhos e servido o exército no 13 Regimento de Infantaria em Ponta Grossa (20.06.1960 a 10.03.1961), entrou no seminário de Engenheiro Gutierrez, Paraná, a 01.03.1963, onde fez o postulado para irmão religioso. Aos 05.01.1964 iniciou o noviciado em Siqueira Campos, Paraná, sendo mestre de noviços Frei Bonifácio Piovesan. Por falta de saúde, interrompeu seu noviciado. Transcorrido certo tempo para tratamento, pediu para retornar e foi aceito como Terceiro Franciscano, ficando ao serviço do convento das Mercês, em Curitiba (1968-1976).

Durante o período em que esteve em Curitiba, aproveitou para terminar os estudos ginasiais (1973-1976) no Colégio Estadual Professor Guido Straube. Em seguida, foi para o seminário Santa Maria de Engenheiro Gutierrez onde, nos anos 1977-1979, freqüentou o curso colegial.

Vestiu o hábito pela segunda vez a 01.12.1979, no convento das Mercês, sendo mestre Frei João Daniel Lovato. No ano seguinte, professou nesse mesmo convento aos 02.12.1980, diante do Ministro provincial, Frei Adelino Frigo. Emitiu sua profissão perpétua aos 18.05.1994 em nossa fraternidade de Butiatuba, na presença do Ministro provincial, Frei Adelino Frigo.

Terminado o noviciado, Frei Bento permaneceu na Cúria provincial, em Curitiba, para os serviços gerais da casa (1980-1983) e no convento das Mercês, como porteiro (1984-1985). Continuou colaborando com as fraternidades de diversas casas: em Butiatuba, como hortelão e porteiro (1986), em Engenheiro Gutierrez (1987), na casa de praia em Itapoá (1988) prestando serviços gerais. Atendeu os freis doentes no convento das Mercês (1978-1994, 1997-1998) e na Cúria provincial (1995-1996) por anos seguidos. Acompanhou o Ministro provincial em diversas viagens pela Província e confeccionou muitas batinas para os noviços e os demais frades.

Nos últimos anos, impedido de fazer outros trabalhos por causa da doença, dedicou-se em confeccionar terços e outros objetos religiosos. Em Curitiba, onde passou boa parte de sua vida, muitas pessoais o conheciam e ele procurava manter essas amizades com visitas recíprocas. Frei Bento foi uma pessoa que muito sofreu em seu físico com a hepatite B e também no aspecto psicológico. Percebia-se nele grande vontade de vencer sua doença, tomando muitos cuidados pessoais.

Desde 1997 até seu falecimento, quase sempre esteve em tratamento na Cúria provincial e no convento das Mercês para superar as dificuldades que lhe criava seu complicado caso de hepatite. Por alguns anos permaneceu na longa fila para receber um transplante de fígado. Como não chegasse sua vez, seu estado físico chegou a tal ponto que não teria suportado mais tal cirurgia. Por diversas vezes foi internado em hospitais para superar fases agudas de sua doença. Segundo o depoimento de médicos que o atenderam em sua fase final, seu fígado tinha desaparecido por completo e provocado um câncer que lhe invadiu também o estômago, provocando-lhe hemorragias e o desenlace final.

Aos 7 de agosto de 2001, frei Bento Vasco Sanson internou-se, pela última vez, no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, Paraná. No convento, seu estado era de fraqueza geral e mostrava-se indisposto à alimentação. Sua última internação deveu-se à uma hemorragia. No hospital, enfraqueceu rapidamente e sua fisionomia demonstrava que seu fim estaria próximo. Faleceu às 18h15 de 13 de agosto de 2001, tendo ao seu lado Frei Serafim de Oliveira. Mas, no mesmo dia, tinha sido visitado por diversos frades que com ele falaram, embora ele respondesse por sinais ou com voz muito débil. O ecônomo provincial (Frei José Gislon) tomou todas as providências necessárias e, pelas 22 horas, o corpo de Frei Bento se encontrava em nossa igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba. Segundo o certificado de óbito, Frei Bento faleceu de «insuficiência hepática, hepatocracionoma, cirrose hepática, hepatite por vírus B».

A missa de corpo presente foi celebrada na igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, presidida pelo Ministro provincial (Frei João Dom Lovato) e concelebrada por mais 17 sacerdotes, além de freis das fraternidades de Ponta Grossa, Céu Azul, Florianópolis, Butiatuba, Almirante Tamandaré, Vila Nossa Senhora da Luz, Equipe missionária, Cúria provincial e convento das Mercês. Os bancos da igreja das Mercês ficaram lotados de fiéis.

Na homilia, o celebrante traçou as linhas gerais do falecido, enriquecidas por pensamentos de outros freis e fiéis presentes na igreja. Frei Bento, apesar de suas limitações, mostrou-se perseverante, persistente e constante desde o noviciado. Por motivos de saúde, teve que deixar o noviciado. Mas, não desistiu. Passados alguns anos, retornou com a mesma constância, refazendo o noviciado, encaminhando-se à vida consagrada. Alimentou forte devoção à Virgem Maria e boa parte de sua vida dedicou-a em fazer terços marianos. Além dos trabalhos em diversas fraternidades, preocupava-se com os outros e com os pobres. Demonstrou-se bom e atencioso enfermeiro quando cuidava dos frades doentes. Segundo testemunhos, seus familiares reconhecem nele uma fora especial em diversos momentos de suas vidas. As famílias, que o conheceram, afirmaram que perderam um amigo com o qual aprenderam o sorriso cristão e o da amizade. Era estimado por muitas pessoas do bairro das Mercês, onde passou grande parte de sua vida.

Está sepultado em Butiatuba. 

Frei Elias Zulian de Postioma

09/08/1920
14/08/1976

09.08.1920 - Postioma/Itália
14.08.1976 - Ponta Grossa/Paraná

Frei Elias nasceu em Postioma (Itália), diocese de Treviso, no dia 9 de agosto de 1920. No dia 1 de setembro de 1932 foi aceito no seminário de Rovigo. Vestiu o hábito capuchinho em Bassano aos 19 de julho de 1938 e no dia 20 de julho do ano seguinte emitiu os votos temporários (20.07.1939). Percorreu o currículo dos estudos em Rovigo (seminário,1933-1938), Pádua (filosofia, 1939-1942), e Veneza (teologia, 1945-1946). Nesta última cidade professou perpetuamente no dia 28 de maio de 1944 e foi ordenado sacerdote aos 9 de setembro de 1945, na igreja do Santíssimo Redentor, em Veneza, pelo bispo capuchinho Dom Cornélio Sebastião Cuccarollo.

Poucos foram os lugares onde exerceu o apostolado na Província vêneta: auxiliar do capelão do cemitério em Údine (1947), Trieste (1948) e auxiliar do capelão do hospital civil de Veneza 1949).

Aos 08 de julho de 1949, os superiores o destinavam como missionário para o Paraná, no Brasil. Embarcou (22.10.1949) em Gênova no navio Anna Costa juntamente com Frei Celestino Coletti. Depois de ter desembarcado em Santos (09.11.1949), aos 12 de novembro de 1949, chegou como missionário no Paraná. Estavam presentes ao embarque um irmão, uma irmã e sua mãe, dona Giovanna Durigon. Enquanto os irmãos choravam, a mãe, sem derramar uma lágrima na sua dor, recordou-lhe o que havia dito antes do seu ingresso ao seminário seráfico: "Meu filho, pense bem no que estás fazendo... Vede! A porta desta casa está aberta para a tua partida, mas ficará fechada para o teu retorno. Assim te falei... Agora, após ter-me pedido a bênção para ir à missão, a minha atitude não mudou. Vai e cumpre o teu dever até o fim... Desta vez não quero chorar, pois sei que estás para assumir uma missão sacrossanta". "Eu – escreveu Frei Elias – não agüentei o que estava acontecendo; retirei-me na minha cabina e prorrompi em prantos". Logo seu companheiro Frei Celestino Coletti, que viajava com ele para o mesmo campo apostólico, com seu jeito humorístico, lhe animou o espírito. A travessia foi rápida e os recebeu no porto de Santos Frei Cleto Barbiero, que há dois anos trabalhava no Paraná.

Nos dois primeiros anos ensaiou sua pastoral como professor e vigário paroquial em Barra Fria, Santa Catarina (1949) e Bandeirantes, Paraná (1950). A 14 de janeiro de 1952 assumiu a Capelania dos Ferroviários nos Estados do Paraná e Santa Catarina, com sede em Vila Oficinas, Ponta Grossa, para não sair mais dos trilhos até sua santa morte.

No trem, nos vagonetes, nos núcleos ferroviários, na igreja de São Cristóvão, Frei Elias não conhecia limites em sua doação pelo bem de seus assistidos. Homem altamente dinâmico. Para o bem estar de seus ferroviários em Vila Oficinas, dirigiu o trabalho nas construções do Colégio do Primeiro Grau, Escola Doméstica, Salão paroquial, Cine Pax, e a nova igreja matriz. Legalizou a difícil questão dos terrenos em Vila Oficinas. Somente a morte o impediu de levar a termo o seu sonho: a «cidade dos meninos» em Caracará.

Segundo estatística de 1967, as estações sob a jurisdição da capela ferroviária São Cristóvão, alcançavam o total de 267. As turmas ferroviárias, sem contar as famílias, ascendiam a 315. Todos esses agrupamentos humanos se encontravam disseminados ao longo de 3.000 quilômetros da rede ferroviária, que Frei Elias procurava visitar periodicamente.

Além destas suas atividades, trabalhou como responsável da Ordem Franciscana Secular em âmbito local e provincial. De 1970 até 1973 foi membro da secretaria de economia da Província. Em 1976, os frades o elegeram como 3 Definidor provincial.

Enquanto as construções se erguiam, seu zelo apostólico o impelia a cultivar com desvelo as almas. Foi diretor espiritual dos movimentos de Cursilhos de Cristandade, organizou eficiente a OFS em Vila Oficinas, que foi seu apoio em todos os ministérios pastorais.

Frei Elias sempre demonstrou ser um capuchinho pobre e modesto; um apóstolo ardente e dinâmico, um sacerdote caridoso para com os irmãos.

No início de julho de 1976, de madrugada, um princípio de incêndio na casa paroquial, na Vila Oficinas (Ponta Grossa), além de grande susto exigiu demais do já cansado coração de Frei Elias. Depois de apagado o fogo e cessado o alvoroço, sentiuse mal. Hospitalizado, constatou-se infarto. Aos poucos ia se recuperando. Porém, no dia 13 de agosto, voltou a sentirse mal e após ser hospitalizado, em poucas horas já se recuperava. Passou tranqüilo a noite do dia 13 para 14 de agosto. Acordandose, manifestou uma incomum euforia. Lembrou que nesse dia ocorria o 56° aniversário de seu batismo. Pouco minutos depois seu coração parava de pulsar. Seu rosto se recompôs na mais plácida serenidade e parecia iluminado pelo sorriso.

Aos seus funerais (15.08.1976), o povo acorreu em massa. Presentes muitos sacerdotes da diocese, de institutos religiosos e personalidades da cidade de Ponta Grossa. Cantos, elogios fúnebres, flores e comoção geral envolveram as missas e liturgias fúnebres. Foi sepultado no interior da mesma igreja que ele construiu, na Vila Oficinas, em Ponta Grossa, entre seus paroquianos.

Frei Francisco Panzarini

03/03/1911
18/08/2007

* 03.03.1911 – Campo Magro/PR

† 12.08.2007 – Curitiba/PR

João Panzarini nasceu aos 3 de março de 1911, em Campo Magro- PR, em uma família de nove irmãos: 5 homens e 4 mulheres. Era o mais novo dos filhos do casal Alexandre Panzarini e Graciosa Migliorini, am­bos vindo da Itália. Ele de Maccacari e ela de Nogara, da província de Verona.

Aos 19 de fevereiro de 1931 in­gressou no convento Nossa Senho­ra das Mercês, em Curitiba, vestindo o hábito de postulante aos 28 de abril do mesmo ano. Aos 23 de agosto de 1933, em NovaTrento- RS, recebeu o hábito de noviço, com o nome de Frei Francisco de Campo Magro. Teve por mestre Frei Cláudio de Nova Pompéia e como Comissário Frei José de Bento Gonçalves. O superior do Paraná era Frei Inácio de Ribeirão Preto, e Frei Ja­cinto de Trieste Ministro provincial em Veneza. Emitiu a profissão temporá­ria aos 24 de agosto de 1934, no mesmo lugar, no Rio Grande do Sul.

Residências - Feita a profissão temporária, voltou para Curitiba, pres­tando o serviço de cozinheiro até 24 de junho de 1935. Foi provisoriamen­te a Butiatuba e emitiu a profissão perpétua aos 4 de outubro de 1937, retomando a Butiatuba onde perma­neceu até 24 de maio de 1942. Foi assistente do seminário e chacareiro. Aos 24 de junho de 1942 foi transferi­do para Barra Fria, SC, onde assu­miu a cozinha, a chácara e também esmoler. No fim, teve que ser Diretor legal do seminário por ser o único brasileiro na casa. Aos 2 de julho de 1946 foi para Joinville. Retomou para Barra Fria aos 30 de junho de 1947.

Em seguida, foi cozinheiro em Curitiba até 23 de março de 1953. Nesta data, retornou a Butiatuba como cozinheiro e chacareiro. Esmolou pelo norte do Paraná duran­te 13 meses. Aos 31 de dezembro de 1954 saiu de Butiatuba e foi a Barra Fria para esmolar trigo. Aos 13 de maio de 1955 foi transferido para o Seminário Santa Maria de Riozinho, onde trabalhou na lavoura até 30 de janeiro de 1958.

Nesta mesma data, foi enviado para Curitiba onde, no primeiro ano, como cozinheiro e depois, sacristão da igreja até 21 de junho de 1967. Pediu, então, para ser transferido para Ponta Grossa e foi atendido. Em 1968, por ocasião dos seus 25 anos de Vida Religiosa viajou à Itália co­nhecendo muitos lugares e visitando seus parentes. A19 de março de 1989 foi transferido para as Mercês e ali viveu até o fim dos seus dias.

Frei Francisco escreveu diver­sos relatórios sobre sua vida dando detalhes interessantes. O primeiro capuchinho que ele viu foi Frei Anselmo de São Mauro, que foi a Campo Ma­gro no dia 2 de dezembro de 1924, fazer os funerais de José Antônio Machado. Mais tarde, pôde encontrar-se com os seminaristas capuchi­nhos que foram passear em Campo Magro. Gostou deles e abriu diálogo vocacional. Após estes primeiros con­tatos, decidiu acompanhar, durante 28 dias, Frei Inácio Dal Monte que visi­tou as capelas espalhadas pelas matas do Açungui. Feitas estas ex­periência, aumentou o desejo de ser frade capuchinho. Deixou sua casa, sua noiva (o casamento já estava pre­visto) e entrou no convento dos ca­puchinhos das Mercês, em Curitiba. Foi o primeiro vocacionado brasileiro da nossa Província que vestiu o hábi­to capuchinho.

Frei Francisco, ao longo de sua vida, amou muito a Ordem Capuchinha, a espiritualidade, os costu­mes e valores da vida capuchinha. Foi muito dedicado em todos os encar­gos que os superiores lhe confiaram. Além de cultivar sua vida espiritual, gostava e se alegrava com os mo­mentos de lazer. Contava seguida­mente histórias de sua vida, algumas delas curiosas e interessantes.

Descreveu, com pormenores, sua entrada no convento, sua viagem pelos matos do Açungui, a fisionomia espiritual dos primeiros frades que ele conheceu. Enfim, gostava de escre­ver. Fez diversas poesias, sempre com fundo histórico, sobre algumas de nossas casas. Algumas foram publicadas no Boletim da Província. Anotava em seus cadernos (quase todos conservados em nosso Centro Histórico e Arquivo Provincial) muitos fatos de sua vida. Escreveu também diversos teatros, principalmente em Barra Fria-SC (hoje, Lacerdópolis), dirigindo as encenações.

Durante a guerra de 1939 a 1945, foi o diretor legal do Seminário de Barra Fria porque era o único frade brasileiro da fraternidade. Também em Barra Fria era conhecido pelos colonos italianos como “il frate delia carretina” porque ia esmolar com a carroça, de casa em casa para o sustento do seminário.

Em Ponta Grossa e Curitiba tor­nou-se muito popular. Os meios de comunicação (rádio e TV) gostavam de entrevistá-lo e publicar sua foto­grafia com a longa e simpática bar­ba, com seu sorriso e gargalhadas típicas. Tomou-se muito amigo do diretor do jornal Gazeta do Povo, em Curitiba, benzendo sua casa e insta­lações.

Manifestou bom gosto e muita criatividade na ornamentação solene e grandiosa do altar de Nossa Senhora das Mercês, nas festas e casamentos, e isso também em nossa igreja Bom Jesus em Ponta Grossa. Temos fo­tos muito bonitas destas ornamenta­ções.

Foi exemplo constante de tra­balho dedicado, abnegado, sempre alegre, em todas as fraternidades onde desempenhou os mais variados misteres: cozinheiro, hortelão, cha­careiro, assistente nos seminários menores, sacristão, porteiro, esmoler. Sempre foi muito trabalhador. Em Curitiba, ganhou prêmio pelo seu cui­dado em zelar as hortas caseiras.

Sobretudo em Curitiba aplicou-se, com especial zelo, em benzer resi­dências, casas comerciais, fábricas, consultórios, pessoas e a celebrar exequiais nos cemitérios da Capital. Viajou para a Itália duas vezes: em 1968 e em 1988. Na primeira vez, conheceu seus tios maternos e pa­ternos e muitos outros parentes (seus pais nasceram e casaram na Itália). Depois desta viagem, alguns paren­tes da Itália vieram visitá-lo no Brasil. Na segunda vez, além da Itália visi­tou a Terra Santa. Frei Francisco fa­lava com muito entusiasmo dessas viagens.

Amava a natureza em todos os seus aspetos. Tratava de animais, de passarinhos e de todo ser vivente que via. De maneira especial, seu amor se manifestou no campo das orquí­deas. Associou-se a entidades orquidiófilas em Ponta Grossa, onde foi presidente durante 8 anos. Parti­cipava, com entusiasmo das reuni­ões, das exposições, de expedições em busca de novas orquídeas. Tomou parte em exposições em Ponta Gros­sa, Curitiba, Joinville e até em São Paulo. Ganhou inúmeros prêmios, medalhas, troféus com suas orquí­deas e demais atividades, conserva­dos em nosso Centro Histórico. Em Ponta Grossa recebeu o título de cidadão pontagrossense (1994), além de outros títulos. Quando não podia mais cuidar das orquídeas, alegrou-se imensamente com Frei Carlos Alberto David que o substituiu neste cultivo.

No tempo de Natal, alegrava-se em montar presépios, sempre com criatividade, principalmente na igreja Nossa Senhora das Mercês, em Curitiba, e no convento Bom Jesus, em Ponta Grossa.

Demonstrou grande amor aos seus familiares e amigos. Visita­va-os com frequência. Participava dos encontros familiares e gostava de ser visitado por eles. Enfim, vivia esses momentos com franciscana alegria e dando testemunho de seu ideal capuchinho. Contava, aos frades, com alegria, todos esses encontros.

Em sua idade avançada, perdeu um pouco da ótima memória históri­ca, mas conservou lucidez da mente até os últimos dias de sua vida. Em sua vida, enfrentou apenas as doen­ças normais, passando por algumas cirurgias e internamentos breves.

Frei Francisco deixou belos exemplos de vida capuchinha, de de­dicação, de testemunho de frade menor. Faleceu no dia 11 de agosto de 2007, na UTI do Hospital Nossa Senhora das Graças. Com sua mor­te, perdemos o primeiro Frei brasilei­ro, professo da Província e ganha­mos novo intercessor junto de Deus a favor da mesma Província e das vocações. Bendito seja Deus! Viveu 73 anos de vida religiosa, semeando o bom exemplo de servidor dedicado em todos os lugares e sempre afirmando que sentia um frade realizado em sua vida.

No dia de seu sepultamento (12.8.2007), o Ministro Provincial (Frei Cláudio Nori Sturm) presidiu a missa com mais 19 concelebrantes, Freis, postulantes, parentes e amigos de Frei Franciscano. Em sua homilia, o Ministro Provincial narrou seus últi­mos encontros com Frei Francisco no Hospital Nossa Senhora das Graças, onde faleceu. O Frei repetiu que estava con­tente com sua vocação capuchinha e, se fosse vivê-la novamente, a faria com o mesmo entusiasmo e dedica­ção. “Sinto-me sereno, tranquilo, ple­namente realizado”, disse ao Minis­tro Provincial. Seus restos mortais repousam em nosso cemitério parti­cular, na fraternidade Santo Antônio de Butiatuba.

Frei Bonifácio Piovesan

11/10/1923
19/08/2012

* 11.10.1923, Santa Maria delle Vittorie, Volpago, Treviso, Itália

+ 19.08.2012, Curitiba-PR,

FREI BONIFÁCIO, filho de Giuseppe Piovesan e Stella Corrá, nasceu em Santa Maria delle Vittorie, município de Volpago de Montello (Treviso, Itália) aos 11.10.1923. Foi batizado aos 16.10.1923, pelo padre Osório Girantin na igreja matriz de Volpago dei Montello, diocese de Treviso. Na mesma igreja, recebeu o Crisma do bispo capuchinho Dom André Jacinto Longhin aos 10.11.1931 e fez a primeira comunhão na igreja matriz de Santa Maria delle Vittorie, sendo celebrante padre Ângelo Fracarro.

Entrou no seminário de Rovigo aos 25.09.1934. Ingressou no noviciado de Bassano dei Grappa aos 22.07.1940. Fez a primeira pro­fissão religiosa aos 24.07.1941, nas mãos de Frei Jerônimo de Fellette, que mais tarde foi no­meado bispo de Pádua, e a pro­fissão perpétua aos 02.12.1946, em Veneza, diante do ministro provincial Frei Vicente de Magredis, irmão de Frei Guilherme de Magredis que trabalhou muitos anos em nossa Província. Foi ordenado sacerdote aos 11.04.1948 em Santa Maria delle Vittorie pelo bispo Dom Jacinto Ambrosi.

No Paraná - Frei Inácio de Ribeirão Claro, custódio, tinha ido a Veneza para o Capítulo Provincial. Pediu, então, mais religiosos. Ao pedido do Ministro Provincial, Frei Bonifácio aceitou “livremente e contente” de ir ao Paraná. Com Frei Inácio (Custódio) e Frei Gabrielângelo Caramore, embarcou em Nápoles no navio Marco Polo aos 8.8.1948, quatro meses após sua ordenação sacerdotal. Chegaram em Curitiba 17 dias após.

Na Província trabalhou nos seguintes lugares: Butiatuba (1948), Barra Fria/Lacerdópolis (1948, Capinzal (1948-1952, visitava as capelas a cavalo), Congonhinhas (1952-1955), Laurentino (1955-1959), Engenheiro Gutierrez (1958-1961), Siqueira Campos (1961- 1967), Capinzal (1967-1968), Cruzeiro do Oeste e Laurentino (1968), Santo Antônio da Platina (1968-1971), Siqueira Campos (1971 -1973), Rio Branco do Sul (1973- 1976), Capinzal (1976-1979), Tomazina (1979-1980), Dois vizinhos (1980-1981), Ponta Grossa (1981-1983), no convento das Mercês, Curitiba, desde 10.09.1983 até seu falecimento.

Durante seus longos anos vividos em nossa Província, Frei Bonifácio assumiu estas atividades: vigário paroquial, superior local, diretor do Seminário Santa Maria em Irati-PR, mestre de noviços em Siqueira Campos, diretor espiritual. No convento das Mercês, em Curitiba, dedicou-se muito ao atendimento na por­taria, às confissões, orientação espiritual, bênçãos, visitas a doentes, exéquias e era o confessor dos bispos de Curitiba e de muitos padres, religiosos/as. Em todos os lugares, era muito estimado tanto pelo povo como pelos frades. Uma vez, ao ser transferido, escreveu: “Chorei, mas compreendi que não me devia apegar aos lugares ou às pessoas, porque quem faz tudo é Deus”. De seu trabalho pastoral, escreveu: “Estive ao lado de muitos moribundos, vendo-os morrer como santos”.

Escrevendo alguns dados e fatos de sua vida, Frei Bonifácio disse: “Nunca me arrependi de ter vindo para o Brasil. Na minha vocação de religioso e sacerdote, sinto-me realizado”.

Visitou seus familiares por seis vezes. A última foi em 1992. Ultimamente foi visitado por seus sobrinhos italianos.

Falecimento - Durante sua estadia no convento das Mercês, teve alguns problemas de saúde e sub­meteu-se a diversas cirurgias. Melhorou bastante e desempenhava bem suas tarefas e participava nor­malmente dos atos comunitários. Em agosto de 2012, começou a sentir incômodos abdominais. A pedido do seu guardião Frei JaimirCompagnoni, foi internado no Hospital Nossa Senhora das Graças.

Através da ecografia contatou-se a presença pedras na vesícula, com processo inflamatório. Foi operado de emergência e encaminhado à UTI. Frei José Ângelo do Prado, responsável pelos Freis doentes, sempre o visitava, encontrando-o bem. Porém, na madrugada do dia 19 de agosto, domingo, um enfarte fulminante surpreendeu-o às 5h30, vindo a falecer. Contava 88 anos de idade, (faria 89 em outubro), 71 de vida religiosa, 64 anos de vida sacerdotal e de vida missionária em nossa Província.

Às 17h, houve missa de corpo presente na igreja das Mercês com a presença de 10 concelebrantes capu­chinhos e a igreja cheia (era domingo). Após a missa, seus restos mortais foram transportados para Butiatuba, sendo velado até 14h30 do dia seguinte. A missa exequial foi presidida por Dom Frei José Gislon, OFMCap, tendo ao lado o arcebispo emérito de Curitiba, Dom Pedro Fedaito, há anos penitente de Frei Bonifácio.

Coincidências:

1.   Enquanto, aos 20.08.2012, eram celebradas as exéquias e o sepultamento de Frei Bonifácio, em Butiatuba, sua irmã Inês falecia na Itália às 22h, nesse mesmo dia.

2.   Nosso confrade Dom Frei José Gislon tomou posse, às 17h, de sua diocese de Erexim-RS, no mesmo dia em que faleceu Frei Bonifácio.

Testemunhos - Durante toda sua vida, Frei Bonifácio tornou-se benquisto nas fraternidades e pelo povo que atendeu, durante seus 64 anos de sacerdote. Em toda parte, tomou-se exemplo de capuchinho e de testemunho de amor a Deus e aos irmãos.

Frei simples no trato com as pessoas, de poucas palavras, rigoroso no testemunho e no que acreditava, de marcante presença de frade capuchinho, estimado por todos. Sua presença e atitudes foram fortes chamados à vivência consagrada e capuchinha. Confessor procurado pelos frades, povo, religiosas e pelos bispos de Curitiba. Era confessor que revelava o Deus bondade e misericórdia e o rosto materno desse mesmo Deus. Acreditou e revelava essa face de Deus.

Demonstrava-se muito cortês e delicado para com todos. Agradecia tudo e a todos. Sua presença falava de Deus, sem a necessidade de falar. Era muito austero, mas nunca impunha a austeridade aos outros. Sabia respeitar a liberdade dos outros. Grande testemunho que ele deixa é o da disponibilidade para servir o Reino e os irmãos. Marcava as pessoas pelo testemunho de seu silêncio e da oração.

O Seminário Santa Maria, em Irati, passou por séria crise. Frei Bonifácio foi nomeado nessa turbulência. Chegou e, com sua grande bondade, acalmou e pacificou os seminaristas e o ambiente. Foi um revolucionário porque os seminaristas nunca faziam férias em casa. Ele em sua bondade e falando com os superiores conseguiu que os seminaristas fizessem férias com as famílias. Foi a primeira vez na história de nossa Província e isso no final da década de 1950.

Um capuchinho silencioso, devoto, fiel, perseverante, orante, um consagrado a Cristo e à Nossa Senhora.

“Façam tudo por amor de Deus, senão vocês estão perdendo tempo”, dizia aos seus noviços.

Numerosos foram os testemunhos, mostrando Frei Bonifácio como o frade que inspirou e inspira a fidelidade à vocação de consagrado.

Frei Crispim Baldo de Vigorovea

01/04/1899
22/08/1963

12.04.1899 - Vigorovea/Itália
22.08.1963 - Capinzal/Santa Catarina

Aos 12 de abril de 1899 nasceu Frei Crispim em Vigorovea (Itália), diocese de Adria. Acabado o primário, entrou para o seminário de Rovigo aos 21.07.1913. Ingressou ao noviciado aos 19.05.1916 em Bassano del Grappa e ali mesmo emitiu a profissão temporária aos 20.05.1917.

A primeira Grande Guerra convocou todos os religiosos e também Frei Crispim, que enfrentou ásperos combates durante três anos, isto é, de 24.6.1917 a 24.6.1920. Em pequeno libreto impresso, feito para os soldados, frei Crispim anotou as datas mais importantes antes da guerra, e os fatos ocorridos durante a guerra. Entre as datas do tempo de guerra destacam-se estas:
1. Chamada às Armas aos 24.6.1917;
2. Prestou serviço na 2ª Infantaria em Savoia;
3. Seus superiores militares foram: Coronel Dino Diana (comandante do Regimento), Major Grisi (comandante do Batalhão), Tenente Franzoni (comandante da Companhia), padre João Andreini de Lucca (capelão militar);
4. Combates nas linhas de frente em Monte Tomba, Monfenera, Pallone, Monte Grappa;
5. Lugares onde prestou serviços: Pallone, Monfenera, Tolmazzo;
6. Lugares de descanso em Pagnano e ásolo;
7. Feridas: apenas pequena ferida no braço direito;
8. Conderações: uma condecoração-fita com uma estrelhinha;
9. Assistiu os funerais de companheiros Spagnolo, Bongiovani, Friolo e Caprino em Monte Tomba, Cascierza aos 2.11.1918.

Conta-se que, após áspero combate, recebeu a missão de vigiar alguns prisioneiros. Seu bondoso coração não agüentou. Olhou ao redor e percebeu que estava sozinho. Por isso, com alegria de todos, gritou aos presos: "Voltem, corram para suas trincheiras, reentrem em suas linhas!" E acenou-lhes o caminho mais breve. Desobediência ás ordens militares ou um coração compreensivo e franciscano? Seu coração não entendia como os homens possam odiar até matar. Seu espírito exultou quando definitivamente deixou a farda militar, retornando ao convento para continuar os estudos de filosofia e de teologia. Emitiu a profissão perpétua aos 14.10.1923.

Em 28 de março de 1925, na Basílica de São Marcos, recebeu a ordenação sacerdotal pelas mãos do Cardeal Patriarca Pedro La Fontaine.

Na Itália, pelos seus dotes de bondade, foi destinado às fraternidades de Rovigo como professor; de Ádria, coadjutor e capelão do hospital; de Villafranca, vigário conventual; de Ásolo e Lendinara, superior local; de Pádua, vigário conventual. Tudo isto no período de 1926 a 1947. Era de uma conduta aberta e retilínea. Sua sensibilidade e amor para as almas o impeliu a pedir, em 1938, para ser enviado como missionário em terra africana: Abissínia. As contingências históricas não permitiram que seu desejo se realizasse. Não desanimou. Insistiu. Com 48 anos de idade renovou o pedido. Foi então enviado ao Brasil, partindo da Itália aos 21 de outubro de 1947, chegando ao Paraná, em Curitiba, aos 12 de novembro de 1947.

O Paraná e Santa Catarina o receberam de braços abertos. Desempenhou aprimoradamente as várias tarefas em Joaquim Távora (1948), Barra Fria (1948; 1953-1955), Curitiba (1948), Butiatuba (1948-1949; 1955-1956), Jataizinho (1952-1953), Joaquim Távora (1949-1951), Jaguariaíva (1951-1952), Ponta Grossa-Imaculada Conceição (1956-1957) e Santa Lúcia (1957-1963.

Sua singela retidão, sua alma transparente soube dedicar-se com sincera ação, esquecendo-se de si mesmo para o bem dos irmãos. Todos lhe queriam bem. Sua maneira de falar simpática, arguta com suas inesperadas saídas, ditas com grande seriedade, despertavam o bom humor e alegres risadas. Austero, rijo consigo mesmo, mas amigo indulgente e compassivo com os outros. frei Crispim tornou-se uma figura peculiar de capuchinho que em tudo procurou cumprir fielmente a vontade do Pai. Em Santa Lúcia-Santa Catarina, com sacrifício e bom gosto, terminou a igreja matriz. Durante 6 anos, visitou constantemente as capelas rurais, abençoou casas. Nele todos encontravam um coração que sabia compreender e amar. Anunciava o Evangelho com sua vida de oração e com sua palavra simples e amiga.

Era 22 de agosto de 1963. Os freis voltaram de Curitiba após terem participado dos festejos dos 25 anos de sacerdócio de frei Patrício Kódermaz, superior dos capuchinhos do Paraná e Santa Catarina. Frei Otávio Cântele. aos 24 de agosto de 1963 (dois dias após o desastre) fez, por esdrito, esta breve descrição sobre a morte de frei Crispim: "O desastre que vitimou nosso querido frei Crispim foi assim: depois de termos viajado contentes e felizes e rezado o santo terço e as ladainhas de Nossa Senhora, frei Crispim acrescentou: "Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito". Eram 21 horas. Chovia. Subitamente encontramos uma descida sem cascalho. O jipe deslizou, atravessou, bateu contra o barranco e capotou. O pobre do frei Crispim, que viajava ao lado da porta, com o primeiro choque foi de encontro ao parabrisa e, com o segundo, contra o barranco. O senhor bem pode imaginar nosso desespero lá dentro em completa escuridão, aflitos, enroscados e com medo de incêndio!"

Seu enterro foi uma apoteose. De Capinzal a Santa Lúcia seus restos mortais passaram entre duas alas de povo que chorava comovido, enquanto os sinos de todas as capelas anunciavam a entrada do bom e amigo Frei Crispim na Pátria bem aventurada.

Frei Otávio Cântele, na macionada carta, diz: "Dia 23, às 14 horas, houve missa de corpo presente. Em seguida, rumamos para Santa Lúcia, onde uma multidão de três mil pessoas nos esperavam". Foi sepultado no cemitério de Santa Lúcia, Santa Catarina.

A vida de frei Crispim foi uma corrida incessante para cumprir fielmente a vontade divina e sua atitude se resumia em permanecer sempre nas mãos de Deus.

Frei Casimiro Czelusniak, pároco de Santa Lúcia de 1968 a 1970, assim escreveu, aos 7 de setembro de 1969, ao secretário provincial sobre o falecido frei Crispim:

"Tenho a dizer que a fama das virtudes do santo falecido [Frei Crispim] corre por todos os recantos da paróquia de Santa Lúcia, como igualmente atinge as paróquias vizinhas como Joaçaba, Jaborá, Lacerdópolis, Concórdia, sem falar de nossa paróquia de Capinzal. Entre as virtudes mais apregoadas é a santa simplicidade que sobressaia, acompanhada de vida austera e penitencial. Não há pessoa que deslembre o virtuoso sacerdote, cuja memória se prolonga pelas graças alcançadas por seu intermédio e algumas curas. (...) São muitas as pessoas beneficiadas por sua mediação. (...) As missas mandadas rezar em honra do falecido frei Crispim, como ação de graças e pedindo graças, são contínuas. O túmulo está sempre cheio de velas acesas. Todos os dias há pessoas rezando o terço no cemitério, ajoelhadas em seu túmulo. (...) Nada de extraordinário fez frei Crispim, mas viveu intensamente as virtudes evangélicas e seus votos de obediência, pobreza e castidade. Isto é que o fez grande e querido ao povo. Cuidou das almas e amou a vida capuchinha".

Frei Demétrio Beld substituiu Frei Casimiro Czelusniak como pároco de Santa Lúcia de 1971 até 1974 quando a paróquia foi devolvida à Diocese aos 29 de dezembro de 1974. Frei Demétrio descreveu, por escrito, 23 graças alcançadas por mediação do falecido frei Crispim em 22 páginas de um caderno. é interessante notar esta observação final que frei Demétrio acrescentou após a descrição das 23 graças alcançadas: "Se a gente quisesse escrever os favores que o povo da colônia recebeu de frei Crispim, escreveria um grosso volume. Bastaria só ter paciência de entrevistar os fiéis. Pouco escrevi, melhor, nada escrevi porque nunca procurei ninguém. Ouvi muitos falarem de graças, e até de graças grandes, mas nunca me interessei por elas para, mais tarde, escrevê-las e ter bela recordação de um frade simples e orante".

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