Frei Serafim Alves da Silva
Frei Serafim nasceu em Taubaté-SP no dia 19 de janeiro de 1909. Filho de João Alves da Silva e Francisca Maria Joana. Nove dias após o nascimento, foi batizado na catedral São Francisco das Chagas, Taubaté. Recebeu a primeira Eucaristia na Igreja do bairro Estiva. Estudou as primeiras letras em Taubaté. Vestiu o hábito de postulante, em São Paulo, no dia 4 de setembro de 1933 e iniciou o noviciado em Piracicaba no dia 4 de julho de 1934. Foram seus Mestres Frei Tiago de Cavêdine e Frei Ricardo de Denno. Emitiu a profissão temporária, em Piracicaba, dia 7 de julho de 1935, perante Frei Vital de Primiero e a profissão perpétua, no convento Sagrado Coração de Jesus, Piracicaba, aos 9 de julho de 1938, perante Frei Tiago de Cavêdine.
Durante 57 anos, viveu e trabalhou nas seguintes fraterni-dades: Seminário São Fidélis e convento Sagrado Coração de Jesus, em Piracicaba, Santos, Botucatu, Taubaté e São Paulo, convento Imaculada Conceição, exercendo os ofícios de cozinheiro, refeitoreiro, porteiro e sacristão.
Exéquias na festa de São José
Após prolongada enfermidade pacientemente suportada, faleceu aos 18 de março de 1992, no Hospital São Camilo, em São Paulo. No dia seguinte, 19 de março, festa de São José, foi celebrada a missa exequial presidida pelo Ministro Provincial Frei Ismael Martignago, concelebrada por sacerdotes da nossa Província, participação de parentes, amigos e fiéis. Após as exéquias foi sepultado no Cemitério Santíssimo Sacramento, em São Paulo, no jazigo dos Frades Capuchinhos.
Deus revela os segredos aos humildes (Eclo 3, 20)
Frei Ismael Martignago, Ministro Provincial, assim se referiu sobre este confrade: “Na morte de Frei Serafim sentimos porque Jesus agradece ao Pai que revelou as coisas mais importantes aos simples e não aos letrados (Lc 10,21). Se São Francisco o tivesse conhecido, com certeza, teria dedicado a ele uma grande afeição, pois sabemos como nosso Pai apreciava as pessoas simples e boas. Frei Serafim foi sempre um irmão simples e bom. Era bom daquela bondade da pessoa contemplativa que, tendo experimentado o absoluto de Deus, tem todas as outras coisas como relativas.
Tinha uma qualidade que se deve ressaltar. Procurava valorizar, na sua simplicidade, as qualidades boas dos outros irmãos e mesmo talvez não entendendo o alcance das coisas que os irmãos tentavam realizar, dava seu incentivo, porque no fundo agradava-lhe o crescimento do outro. Foi profundamente agradecido aos pequenos gestos. Na sua longa enfermidade, enquanto teve consciência, agradecia qualquer ajuda, qualquer palavra, qualquer expressão humorista sobre sua doença, qualquer visita, por mais breve que fosse.
Num passado ainda recente, quando os irmãos porteiros eram o cartão de visita de nossos conventos, por muitos anos Frei Serafim foi o rosto verdadeiro do capuchinho, filho de São Francisco: o rosto da bondade, da simplicidade, da descomplicação, da misericórdia para com todos aqueles que passavam pelas nossas portarias à procura da palavra de incentivo, de reconciliação, de desabafo, do pão material ardentemente desejado pelos rejeitados da vida ou de um trocadinho para alguma necessidade.
Foi também exemplo de oração silenciosa e de aceitação. Já inválido, passava sentado longas horas, sempre com o terço na mão, rezando, sem um lamento por causa dos sofrimentos que lhe impunha a enfermidade”.
Na doença e na indigência conserva tua confiança (Eclo 2, 5).
Por tudo isso, Deus seja louvado. Amém.
Cf. RV. dezembro 1992. pág. 165.
Frei Joaquim Dutra Alves, O.F.M. Cap.